Uma pesquisa recente da Strada, citada pela AD HOC NEWS, revelou que organizações globais estão com dificuldade em extrair valor real de seus investimentos em Gestão de Capital Humano (HCM). O mercado global de soluções de HCM foi estimado em mais de USD 37 bilhões para 2026, com crescimento projetado de quase 10% ao ano. E ainda assim, a conclusão que emerge de quem estuda como as empresas usam essas ferramentas é que boa parte do investimento não se converte em resultado mensurável.

O que me parece mais curioso nesse diagnóstico é o padrão que ele revela. Grandes organizações compram sistemas sofisticados, implementam plataformas, criam estruturas de RH com nomes elaborados, e no fim o que muda no desempenho das pessoas é menos do que o esperado. A hipótese mais comum para isso é técnica: o sistema foi mal implementado, a equipe não foi treinada, a integração com outros processos não funcionou. Essas razões são reais, mas talvez sejam sintoma de algo anterior.

O problema mais profundo, o que observo quando esse assunto aparece em conversas com donos de PMEs, é que muitas empresas investem em gestão de pessoas sem ter clareza sobre o que esperam das pessoas. Sem uma cultura definida, sem papéis bem delimitados, sem critérios explícitos de desempenho, qualquer sistema de gestão se torna um repositório de dados que ninguém sabe transformar em decisão. A tecnologia amplifica o que já existe; se o que existe é vago, o que se amplifica é a vaidade do esforço.

Para a PME, esse fenômeno tem uma versão própria, menos tecnológica e igualmente custosa. Contratar sem critério de perfil, delegar sem definir o que significa sucesso na função, manter alguém que não entrega porque a conversa difícil foi adiada, são formas de investimento em pessoas que não retornam. Não porque as pessoas sejam o problema, mas porque o sistema que as envolve não foi construído para revelar e potencializar o que elas têm a oferecer.

Há uma frase que aparece com frequência nesse tipo de análise: "as pessoas são o maior ativo da empresa." É verdade, mas é uma verdade que exige complemento. Pessoas só se tornam ativo quando operam dentro de uma estrutura que as orienta, que define expectativas com clareza, que dá feedback e que acompanha o que foi combinado. Sem isso, as pessoas são o maior potencial da empresa, o que é diferente.

O quanto da sua operação depende de quem está nela, e o quanto dependeria do papel que cada um ocupa?